01/03/2010 - Prontas as enzimas que fazem etanol de resíduos agrícolas
Produtos serão apresentados no Brasil em março e podem incrementar a produção do combustível para exportação
A indústria
dinamarquesa de biotecnologia, Novozymes, pretende apresentar no mês
que vem, no Brasil, dois produtos capazes de viabilizar a produção de
etanol a partir de resíduos agrícolas, em escala comercial. São as
enzimas batizadas de Cellic CTec2 (celulase) e a Cellic HTec2
(hemicelulase), que podem liberar os açúcares contidos na palha de
milho, restos de madeira e bagaço de cana-de-açúcar, por exemplo. São
proteínas especializadas em catálise biológica, resultado de uma
pesquisa de dez anos. As novas enzimas também foram apresentadas na
semana passada nos Estados Unidos, que devem começar em breve a
produzir etanol a partir da palha e do sabugo do milho em suas usinas.
A Novozymes calcula que as primeiras usinas pré-comerciais devem surgir
no Brasil no ano que vem ou 2012. “Estamos desenvolvendo parcerias para
habilitar o uso dessa tecnologia em escala comercial no país”, disse o
presidente da Novozymes Latin America, Pedro Luiz Fernandes. A
apresentação dos produtos será feita no F.O. Licht's Sugar and Ethanol
Brazil 2010, evento voltado para o mercado sucroalcooleiro, que
acontece em São Paulo, de 22 a 24 de março.
As primeiras
plantas comerciais que vão produzir etanol celulósico nos EUA, a partir
de 2011, poderão chegar a um preço de custo abaixo dos US$ 0,50 por
litro do combustível, valor similar ao do etanol de primeira geração e
da gasolina comercializada naquele país. Esse é o reflexo do resultado
das pesquisas com as enzimas Cellic, que, depois de investimentos
massivos tiveram uma redução de 80% no custo de fabricação, ficando em
US$ 0,13 para cada litro de etanol produzido.
“Com as novas enzimas
Cellic, poderemos aumentar o potencial de produção de etanol celulósico
no Brasil a partir do bagaço da cana-de-açúcar, visando o mercado de
exportação”, continuou Pedro Luiz Fernandes. “A produção de etanol
celulósico poderia ser vista como uma fonte de renda complementar a
outras já existentes na indústria sucroalcooleira”, afirmou. Segundo a
Novozymes, o governo brasileiro tem dispensado à empresa diversas
formas de apoio em seus projetos de desenvolvimento de novas
biotecnologias. A dinamarquesa garante que será capaz de fornecer os
volumes de enzima que forem necessários para o segmento tanto no âmbito
nacional como no internacional, quando o etanol 2G começar a ser
produzido.