* Rafael Henrique Sachet
A produção ovina tem
demonstrado substancial crescimento nos últimos anos,
conseguindo englobar em seus números uma considerável
fatia do mercado produtivo, no entanto, ainda pequena se analisarmos
o potencial que esta categoria possui. Com o aumento da produção,
faz-se necessário o aumento do ritmo de crescimento destes
animais, refletido no ganho de peso melhorado por meio de sua
conversão alimentar. Para que consigam atingir tais níveis
que garantam esta produção é importante que os
níveis nutricionais sejam atendidos, tendo em vista a
qualidade do alimento, a sua quantidade associada ao limitado consumo
desta espécie, bem como suas restrições
digestivas. Desta forma, o potencial genético dos animais é
explorado ao máximo, garantindo a produção
esperada.
Não menos importante que os
níveis nutricionais está a sua associação
aos fatores econômicos, visto que a alimentação é
o mais oneroso dos custos de produção animal, sendo
extremamente importante formular dietas de maneira que estes dois
fatores estejam agregados e equilibrados, promovendo um satisfatório
custo benefício.
Quando
pensamos em produção animal, necessitamos primeiramente
compreender o que iremos produzir, para que possamos escolher os
animais – ou a raça – que demonstrem melhor
adaptabilidade, ou seja, maior desempenho genético produtivo
para tal característica, seja esta carne, leite ou ainda
produção de lã. Posteriormente, necessitamos
trabalhar a parte nutricional destes animais.
Os
ovinos possuem uma característica funcional importante que é
degradar alimentos compostos por quantidades elevadas de fibra, o que
permite formular dietas com as mais diversas fontes de volumosos
associados ou não a concentrado. Entre as mais utilizadas
existe, ainda, uma grande variedade de forragens que podem ser
pastejadas durante período de verão, tais
como Pangola, Coast-Cross, Pensacola, Estrela Africana, Tifton e
ainda algumas variedades de Panicum maximum, como Mombaça,
Aruana, Tanzânia. No entanto, é extremamente importante
manter um manejo sincronizado entre a qualidade e a quantidade de
forragem ofertada aos animais, visto que as plantas têm seus
depósitos de lignina mais acentuados com o transcorrer de seu
crescimento vegetativo. Com isso, os níveis nutricionais da
planta decrescem consideravelmente e, em conseqüência, a
sua digestibilidade. Em regiões onde os invernos atingem
temperaturas baixas, o cultivo de aveia, azevén e alguns tipos
de trevos podem ser uma boa alternativa quando conjugados ou mesmo
individualmente, pois estas plantas possuem parâmetros
nutricionais excelentes para tal estação do ano.
Em
consórcio com o pastoreio pode, ainda, ser fornecido um
suplemento na forma de concentrado, o qual complementará o
déficit nutricional causado pelo consumo somente da forragem,
proporcionando um aporte suficiente para que os níveis
produtivos desejados sejam alcançados. Desta forma, é
imprescindível o conhecimento dos níveis nutricionais
da forragem.
Os
principais níveis a serem analisados nesta relação
volumosos:concentrado são proteína, energia, vitaminas
e minerais, de maneira que todos sejam atendidos suficientemente
evitando desperdício em função da não
absorção, devido ao excesso dos mesmos. Com
o aumento da produção de grãos, diversas fontes
de matéria-prima estão disponíveis no mercado
para a confecção de concentrados, tais como milho,
farelo de soja, farelo de trigo, farelo de arroz, farelo de girassol,
polpa cítrica, caroço de algodão, entre outras
tantas. É extremamente importante salientar que ao
trabalharmos com resíduos da agroindústria, torna-se
inevitável o conhecimento dos valores nutricionais dos mesmos
para que a formulação da dieta proceda de maneira
correta. A suplementação pode promover, além dos
ganhos individuais, o aumento da carga animal, melhorando o
rendimento de ganho de peso por área através da
saciedade provocada pelo consumo do concentrado e do maior tempo de
permanência destes animais nas proximidades do cocho.
Quando
trabalhamos com alimentação animal, precisamos ter a
consciência de que quanto maior a variedade de matéria-prima
tivermos à disposição, mais simples será
de consorciamos o balanço nutricional da dieta, os ganhos
efetivos dos animais e a rentabilidade do sistema de produção.
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Rafael Henrique Sachet é zootecnista, mestre em Produção
Animal e Analista Técnico da Nuvital Nutrientes

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